Três pratos são muito tradicionais na Páscoa do Nordeste. O primeiro deles é o quibebe, um tipo de purê de jerimum, consumido na sexta-feira santa, no lugar da carne vermelha. O segundo é o arroz de coco (cozido com leite de coco). Só que o mais emblemático é o feijão de coco, servido em forma de um caldo bem grosso. Cada família tem seu jeito de preparar. Uma das receitas está aqui: 

 


Receita do Feijão de coco
1 kg de feijão mulatinho;
2 cocos;
Azeite, cebola, tomate, cheiro-verde, sal e pimenta a gosto.

Modo de preparar:
– Cozinhe o feijão em água e sal. Reserve.
– Raspe os cocos e passe no liquidificador com 2 xícaras do caldo em que o feijão foi cozido.
– Refogue todos os temperos no azeite. Passe o feijão no liquidificador e depois peneire.
– Junte o refogado ao creme de feijão, o caldo dos cocos, e leve ao fogo, mexendo sempre até engrossar. Tempere com sal e pimenta.

 

O que não falta também no prato do nordestino na época de Natal é uma verdura chamada bredo, que acompanha muito bem bacalhau, peixe e quibebe. O bredo é muito parecido com o espinafre e de fácil cultivo na região. Por ser abundante nessa época do ano, ganhou o apelido de “hortaliça sacrossanta”. Também é preparada com leite de coco.

 

A Páscoa no Piauí

O Piauí é o Estado mais católico do Brasil. São quase 87,93% da população que se denomina católica praticante. Por isso, muitos piauienses lembram da quantidade de proibições que cercavam a Semana Santa antigamente. Na Sexta-Feira da Paixão, por exemplo, era proibido até tomar banho e pentear os cabelos.

 

A Páscoa no Ceará


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Ceará, o doce que rivaliza com o ovo de Páscoa é o pão-de-coco, herança dos escravos africanos e dos índios. O pão douradinho é recheado com creme de coco.

 

 

A Páscoa no Maranhão e na Paraíba

Em cidades pobres, como Santana do Maranhão (MA) e Bayeux (PB), as prefeituras aproveitam a festa de Páscoa para fazer uma grande distribuição de peixes para a população carente. Na cidade maranhense, por exemplo, a prefeitura distribuiu um total de 6 mil quilos em 2015 – 2 quilos por família cadastrada.

 

A Páscoa em Pernambuco

A representação da Paixão de Cristo na estância hidromineral de Fazenda Nova, distrito do município Brejo da Madre de Deus (PE), é o maior espetáculo ao ar livre do mundo. Conta a história de Cristo, desde o Sermão da Montanha até a Ressurreição. A primeira encenação aconteceu em 1950, nas ruas da pequena vila de Fazenda Nova, a 180 km do Recife. Hoje são 100 mil metros quadrados, cercados por uma muralha de pedra de granito de 4 metros de altura, num cenário que é uma reprodução parcial da Jerusalém dos dias de Cristo. A “Nova Jerusalém pernambucana”, incluindo o Palácio de Herodes e o Fórum de Pilatos, demorou 36 anos para ficar pronta. A área corresponde a um terço da Jerusalém original, em Israel. Em 1997, o show passou a incluir atores globais, como uma tentativa de aumentar o público. O espetáculo tem 2 horas e meia de duração.

Foto: Passarinho/Pref.Olinda

Entre as inúmeras manifestações religiosas, Olinda (PE) promove o espetáculo “Cenas de Cristo”, que tem uma hora de duração e a participação de 50 atores e 20 crianças.  A apresentação acontece desde 2012 na colina da Igreja do Carmo e tem um lindo show pirotécnico no final. 

 

 

 

 

Foto: Mariana Miranda

A primeira Procissão do Fogaréu em terras brasileiras aconteceu na Bahia em 1618. A Paraíba viria algum tempo depois, em 1726. A mais famosa Procissão do Fogaréu baiana tem lugar em Serrinha. Ela é realizada desde 1930 e já foi transformada em Patrimônio Histórico Imaterial da Bahia. Cerca de 30 mil fiéis sobem a colina de Nossa Senhora Santana, o ponto mais alto da cidade, com velas e tochas. A cidade fica toda às escuras para dar um efeito ainda melhor ao evento.